Caso AF447: como o Ísis poderia apoiar o planejamento da busca
Estudo retrospectivo e hipotético que organiza dados históricos do AF447 para mostrar, com mapas e uma linha do tempo, como o Ísis poderia apoiar a análise de deriva e o planejamento SAR.
Por SARCORPS

Em 1º de junho de 2009, o voo Air France 447, operado por um Airbus A330-200, desapareceu durante a travessia do Atlântico entre o Rio de Janeiro e Paris. A aeronave transportava 228 pessoas e estava fora de cobertura radar quando deixou de enviar os reportes previstos.
Este estudo mostra, de forma retrospectiva, como o cenário poderia ser organizado no Ísis. O objetivo é tornar visíveis as premissas, a evolução temporal de uma hipótese de deriva e a relação entre as áreas simuladas e os registros históricos da busca.
O que o estudo procura demonstrar
O caso foi estruturado para observar como um sistema de apoio à decisão pode reunir informações dispersas, representar incertezas no mapa e acompanhar a evolução de um cenário marítimo. O Ísis organiza o raciocínio e oferece recursos de análise, mas a interpretação e a decisão continuam sob responsabilidade do coordenador e da autoridade SAR.
01
Deriva marítima
Projeta no tempo uma distribuição de posições possíveis a partir de vento, corrente e características do objeto de busca.
02
Incerteza de posição
Representa a posição inicial como ponto, direção e distância ou trajetória, conforme a qualidade dos dados disponíveis.
03
Planejamento do esforço
Relaciona a distribuição de probabilidade às áreas e aos padrões considerados para cada surtida, mantendo o histórico da análise.
Dados iniciais do cenário
O ponto de partida da versão publicada é a última posição associada à sequência de mensagens ACARS. A partir dela, o estudo cria um caso marítimo e registra os dados básicos necessários para organizar a análise.
Última posição conhecida
02° 58,08' N / 030° 35,04' W
2,968 / -30,584
Data e hora
01 jun. 2009, 02:10 UTC
Aeronave
Airbus A330-200
Matrícula F-GZCP
Rota e pessoas
SBGL para LFPG
228 pessoas a bordo

Como a incerteza pode ser representada
O Ísis trabalha com modelos diferentes porque nem todo desaparecimento começa com o mesmo tipo de informação. A escolha depende do que é conhecido sobre posição, deslocamento e trajetória.
Modelo 1
Ponto com erro radial
Parte de uma posição de referência e distribui a incerteza ao redor dela. É o modelo usado nesta apresentação do AF447.
Modelo 2
Proa e distância
Parte de uma coordenada, uma direção e uma distância estimada para representar um deslocamento provável.
Modelo 3
Trajetória multiponto
Distribui a incerteza ao longo de uma rota quando não há segurança sobre o trecho em que o evento ocorreu.
Premissa de erro adotada na versão web
Nesta versão do estudo, o último reporte é tratado como centro de uma distribuição de probabilidade. O parâmetro R50 representa o raio que reúne metade da probabilidade de contenção considerada pelo modelo.
Raio máximo considerado
40 NM
Hipótese associada ao intervalo após o último reporte
R50 adotado
15 NM
50% da probabilidade de contenção
Leitura do modelo
Probabilidade decrescente
A concentração diminui à medida que se afasta do datum
Natureza do valor
Premissa analítica
Não é um parâmetro da operação real
Simulação de deriva
Depois de representar a incerteza inicial, o estudo passa a acompanhar o comportamento provável de uma pessoa na água. A versão publicada adota a categoria Pessoa na Água, em postura vertical, e inicia a projeção cinco minutos após o último reporte.
Início da deriva
02:15 UTC
Cinco minutos após o último reporte
Objeto de busca
Pessoa na Água
Postura vertical
Posição inicial
LKP do AF447
2,968 / -30,584
Resultado visual
Mapa probabilístico
Evolução temporal da dispersão simulada

Linha do tempo da busca
Os mapas a seguir recuperam a sequência visual da página original. Os padrões de busca registrados são sobrepostos às projeções do Ísis e, a partir do sexto dia, as posições históricas das recuperações são adicionadas como referência. Essa comparação serve para leitura do cenário e não constitui validação operacional prospectiva.
1º dia de busca
01 jun. 2009
2 surtidas, cerca de 5h10 de voo
O primeiro padrão foi associado ao SAR 7100, com início previsto às 18:54 UTC e duas horas de voo. O segundo foi associado ao SAR 2474, com início às 22:30 UTC e cerca de 3h10 de voo. Na reconstrução, os dois padrões aparecem dentro ou próximos da região inicial de interesse.


2º dia de busca
02 jun. 2009
5 surtidas, cerca de 19h10 de voo
Os padrões registrados usaram 1.000 pés, 150 nós e espaçamento de 2 NM. Na sobreposição do estudo, ficaram fora da área de probabilidade simulada.

3º dia de busca
03 jun. 2009
5 surtidas, cerca de 36h55 de voo
A configuração registrada foi semelhante à do dia anterior. Na reconstrução, os padrões permaneceram fora da área de probabilidade simulada.

4º dia de busca
04 jun. 2009
4 surtidas, cerca de 21h50 de voo
Três padrões ficaram fora da área simulada e um tangenciou sua borda.

5º dia de busca
05 jun. 2009
7 surtidas, cerca de 32h30 de voo
Os espaçamentos registrados variaram entre 2 NM e 3 NM. Na sobreposição apresentada, os padrões ficaram fora da área de probabilidade simulada.

6º dia de busca
06 jun. 2009
7 surtidas e 2 recuperações
Foi o primeiro dia com recuperações registradas, às 12:05 UTC e 13:17 UTC. As posições aparecem próximas à borda da distribuição simulada, e apenas um padrão cobre parte da área indicada pelo estudo.

7º dia de busca
07 jun. 2009
14 recuperações registradas
As posições históricas ficam a aproximadamente 29 NM do centro do mapa de calor usado nesta comparação.

8º dia de busca
08 jun. 2009
11 recuperações registradas
As posições históricas ficam entre aproximadamente 35 NM e 40 NM do centro do mapa de calor.

9º dia de busca
09 jun. 2009
14 recuperações registradas
As posições aparecem a aproximadamente 40 NM do centro do mapa de calor e acompanham a direção geral da dispersão simulada.

10º dia de busca
10 jun. 2009
4 recuperações registradas
As posições históricas ficam a aproximadamente 44 NM do centro do mapa de calor.

11º dia de busca
11 jun. 2009
4 recuperações registradas
As posições históricas ficam a aproximadamente 45 NM do centro do mapa de calor.

16º dia de busca
16 jun. 2009
1 recuperação registrada
A posição histórica fica a aproximadamente 80 NM do centro do mapa de calor.

17º dia de busca
17 jun. 2009
1 recuperação registrada
A posição histórica fica a aproximadamente 87 NM do centro do mapa de calor.

Visualização consolidada

O que pode ser observado
Hipótese de alvo
O objeto de busca muda o planejamento
Os briefings analisados indicavam bote salva-vidas. O estudo testa a hipótese de Pessoa na Água, mais coerente com o cenário adotado nesta reconstrução. Essa escolha altera a leitura do deslocamento e da detecção esperada.
Distribuição do esforço
Mapa e surtidas precisam conversar
Nos primeiros cinco dias, grande parte dos padrões aparece distante da região mais concentrada da simulação. O mapa não decide onde buscar, mas oferece uma referência comum para discutir prioridades.
Evolução temporal
Cada resultado deve atualizar o cenário
Detecções e não detecções podem alimentar revisões sucessivas da distribuição de probabilidade. O valor está em transformar cada missão concluída em informação para o planejamento seguinte.
Pessoas a bordo
228
Recuperações no período
51
Registros considerados nesta apresentação
Primeiras recuperações
6º dia
Cinco dias após o desaparecimento
Esforço nos dias 1 a 5
Cerca de 115 h
Soma aproximada dos voos registrados